O tamanho da queda, e por que os números divergem
Quatro estudos, quatro metodologias, quatro resultados. A direção é unânime; a magnitude, não.
Estudo | Recorte | Resultado |
|---|---|---|
Ahrefs (fev/2026) | CTR da posição 1 em keywords com AI Overview, dez/2023 vs dez/2025 | Queda de 58% (de 7,6% para 1,6% em termos informacionais) |
Pew Research (jul/2025) | 68.879 buscas reais, comportamento de navegação | Clique em resultado tradicional: 8% com AIO, 15% sem — queda relativa de 47% |
Seer Interactive | 25 milhões de impressões, série a nível de GSC | CTR orgânico de 1,62% para 0,61% — queda de 61% |
Sistrix (fev/2026, DACH) | Mercado alemão | Posição 1 de 27% para 11%; 265 milhões de cliques/mês perdidos |
A divergência não é ruído: é metodologia. O Ahrefs mede CTR da página mais bem posicionada em termos que acionam AI Overview — não perda média de tráfego de todos os sites. O Pew mede probabilidade de clique por sessão. Confundir os dois produz previsão errada.
O uso correto desses números é como referência de direção, nunca como meta. A magnitude que interessa para uma operação específica só sai do Search Console dela.
Um detalhe do estudo do Pew merece atenção separada: o clique em links dentro da própria resposta da IA ficou em 1%. A citação, na maior parte dos casos, não devolve visita. Ela devolve outra coisa.

Nem todo zero-click é perda
Aqui é onde a maioria das análises para, e é onde a decisão comercial começa.
A Amsive analisou 700 mil palavras-chave em abril de 2025 e encontrou um comportamento assimétrico: em consultas de marca com AI Overview presente, o CTR subiu 18,68%. Em consultas sem marca, caiu 37%.
A leitura é direta. Quando alguém busca uma categoria e recebe resposta pronta, o clique morre — e boa parte desse clique nunca teve valor comercial. Quando alguém busca pelo nome da sua empresa, a presença na resposta gerada reforça a intenção em vez de dissolvê-la.
Há também evidência de que marcas citadas dentro de um AI Overview recebem mais cliques orgânicos do que marcas ausentes da mesma página de resultado. O mecanismo é intuitivo: a citação funciona como validação de terceiro, não como link concorrente.
Traduzindo para o que importa: a queda de sessão genérica e a queda de demanda qualificada são eventos diferentes, e o relatório precisa separar os dois. Um é consequência estrutural do canal. O outro é problema real.
O que medir a partir de agora
Quatro indicadores substituem o volume de sessão como métrica central. Nenhum deles depende de ferramenta cara.
1. Impressão versus clique, separado por marca e não-marca. É a única leitura que distingue perda estrutural de perda de posição. Se impressão sobe, CTR cai e consulta de marca cresce, o canal está funcionando — está apenas entregando resultado em outro formato. Está tudo no Search Console, com um filtro.
2. Presença em resposta gerada, com linha de base fixa. Um conjunto congelado de 20 a 30 perguntas, rodado mensalmente nas quatro plataformas principais, registrando: você foi citado, com que descrição, ao lado de quem. É a métrica que mais se aproxima de share of voice no canal novo — e a única que permite dizer "melhorou" com algum rigor.
3. Tráfego de referência de origem IA, isolado no analytics. Sessões vindas de ChatGPT, Perplexity, Gemini e Copilot precisam de segmento próprio. O volume será baixo — nenhuma expectativa contrária sobrevive a duas semanas de dados. O que interessa é o comportamento: essas sessões chegam mais adiante no funil, porque quem clica já leu um resumo e quer profundidade.
4. Demanda qualificada de origem orgânica. Formulário, contato direto, menção espontânea na primeira reunião. Em B2B de ciclo longo, é o único número que a diretoria do cliente considera real — e o que mais resiste à turbulência de canal.
O erro de leitura que custa orçamento
Existe uma decisão errada muito comum neste momento: cortar investimento em orgânico porque a sessão caiu.
O raciocínio ignora que o conteúdo que alimenta a resposta gerada é o mesmo que ranqueia — e que a base de recuperação em buscadores generativos é, hoje, majoritariamente a busca tradicional. Uma página ausente do topo dos resultados não está disponível para ser citada. Um levantamento acadêmico de 2026 que analisou 252 mil execuções em seis modelos concluiu que relevância e posição são os determinantes primários da primeira citação. Sair do orgânico para "investir em GEO" é retirar o pré-requisito e manter a meta.
O ajuste correto é de formato e de medição, não de verba. Menos conteúdo escrito para capturar clique de categoria; mais conteúdo estruturado para ser extraído, citado e reconhecido — e um relatório que pare de tratar sessão como sinônimo de resultado.
Fontes
SparkToro, In 2026, Less than One Third of Google Searches Still Send a Click, maio de 2026
Ahrefs, atualização de fevereiro de 2026 (863 mil keywords)
Pew Research Center, julho de 2025 (68.879 buscas)
Seer Interactive, 25 milhões de impressões
Sistrix, fevereiro de 2026 (mercado DACH)
Amsive, abril de 2025 (700 mil palavras-chave)
Levantamento acadêmico sobre determinantes de citação em motores generativos, 2026